sábado, 28 de fevereiro de 2009

DENGUE: o descaso continua

O reservatório existente nos fundos da Prefeitura de Itabuna ainda encontra-se a céu aberto para a alegria do mosquito causador da dengue. A população está em plena guerra declarada contra a dengue a Prefeitura Municipal não faz a lição de casa. O reservatório situado nos fundos da PMI é um verdadeiro oásis para a reprodução da larva do famigerado “Aedes Aegypti”.
O estranho é que nenhum órgão de imprensa foi verificar a situação. Enquanto isso pessoas estão morrendo vítimas desta nefasta epidemia.
Confira o vídeo do local.
http://www.youtube.com/watch?v=I9iNiR9060A&feature=channel_page
video

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A experiência estética

Resenha/Resumo

A experiência estética

Autor: DUARTE Jr., João Francisco
Livro: O que é a beleza. SP:Brasiliense. 1986


A análise de uma obra de arte deve serve para procurar a beleza. Porém, a beleza não se encontra nem no objeto em si mesmo, nem isoladamente nos sujeitos humanos. Para o autor, a beleza habita a relação. A relação do sujeito com o objeto, ou seja, a beleza está entre o sujeito e o objeto.
Neste sentido, a obra de arte, que é uma forma acabada, é perceptível ou se oferecem à percepção, são elas que dirigem as faculdades perceptíveis humanas. A arte é um símbolo dos sentimentos humanos, que não pode ser comunicado conceitualmente. Ela é simplesmente expressão.
Para o autor, a arte significa somente aquilo que existe em suas formas perceptivas, e que não pode ser expresso de nenhuma outra maneira. Por isso ela não nos transmite conceitos, que poderiam ser comunicados através de sinônimos, mas exprime sentidos em nível de sentimentos em suas formas mesmas.
Não sendo uma forma de linguagem, arte pode ser considerada um código expressivo, pois ela se nos apresenta de forma total, um sentido num todo inteiro.
O assunto de uma obra de arte não é o seu significado, pois nela não importa o “que” e sim o “como”, a sua forma é o seu próprio conteúdo.
O que ocorre numa experiência estética é que os sentimentos são tocados, são despertados pelas formas do objeto e então vibram, dando-se a conhecer a nós mesmos. Ao revelar-nos o mundo – por meio de seu próprio mundo – o artista nos mostra a nós mesmos.
O sentido entre a obra e o espectador faz com que cada qual entre com sua parcela de significados. A arte encaminha os sentimentos do espectador numa determinada direção, mas a forma de vivenciar esse sentimento é própria do espectador. Nesta experiência estética, quanto mais sentidos possibilitar, mais pela a obra de arte será. No momento desta experiência o mundo prático é substituído pela realidade da obra.
Para o autor, nesta “nova realidade”, a consciência do espectador se modifica mudando sua percepção, deixando de ser utilitária tornando-se estética.
A percepção estética busca a verdade do objeto. A arte deve ser fruída, desfrutada, serve para despertar no espectador a consciência e a vivência de aspectos do sentir, com relação ao mundo.
A percepção estética é considerada por alguns autores como “desinteressada”, uma percepção que apreende o objeto com um todo, sem analisar suas partes constituintes, uma percepção global de suas formas expressivas. O espectador fruindo e degustando a obra de arte segue os caminhos propostas pela obra de arte, recriando tais formas de acordo seus sentimentos.
No relacionamento eu-isso, isto é entre o espectador e a obra de arte, a experiência estética toma uma forma em que o sujeito e o objeto encontram-se numa relação de igualdade, face a face.
Para o autor, o prazer experimentado numa experiência estética não resulta da satisfação de um desejo ou de uma necessidade. Vai muito mais além do que isso. Ela faz pensar que uma grande obra de arte fica em nossa cabeça após sua fruição. Não é um desejo tão prontamente satisfeito e esquecido. O espectador só toma a obra de arte como um todo, como um objeto para nosso pensamento conceitual, após essa experiência de gozo ou fruição.

Ricardo Carvalho da Silva

2008.2

O universo das artes

Resenha/Resumo

O universo das artes
O ponto de vista do espectador

Artista e obra de arte


O autor tenta desmistificar os diversos conceitos do mundo da arte, ou da imagem, revelando o senso comum dominante, confuso em relação ao que é mesmo o artista e o que vem a ser obra de arte. Geralmente, as pessoas conceituam artista como um cantor, compositor, bailarino e como obra de arte toda e qualquer produção artística do passado.
Para o autor do texto, “essa curiosa discrepância entre o que se entende por artista e por obra de arte indica que, ao dizer quem é um artista, a pessoa está exprimindo o ponto de vista da chamada cultura de massa ou cultura do espetáculo; e que, ao explicar o que entende por obra de arte, está exprimindo o ponto de vista da chamada cultura erudita ou cultura de elite, portanto, de um espectador que vive numa sociedade dividida em classes sociais, na qual somente alguns podem entender e fruir a arte”.
Essa separação do artista com a obra de arte será objeto de estudo do autor que tentará desvendar o sentido mais amplo da obra de arte. Para tanto ele subdividirá o texto em tópicos, a saber:

Relação com a obra de arte
Aqui o autor revela como se dá a relação desse espectador com a obra de arte, quando o mesmo responde que se emociona diante de uma obra de arte e que conhece e pode adquiri-la e a tem como uma peça de artesanato em casa, etc.. Através dessas respostas do espectador, o autor percebe uma aproximação e a distinção entre arte e artesanato e a proximidade entre arte e antiguidade.

O ponto de vista do artista
Sobre este tópico, o autor desvela o ponto de vista de artistas, historiadores e estudiosos sobre que é a arte.
Merleau-Ponty dizia que arte é advento – um vir a ser do que nunca antes existiu -, como promessa infinita de acontecimentos – as obras dos artistas.
Para o autor, o artista é aquele que recolhe de maneira nova e inusitada aquilo que está na percepção de todos e que, no entanto, ninguém parece perceber. Ao fazê-lo, nos dá o sentimento da quase eternidade da obra de arte, pois ela é a expressão perene da capacidade perceptiva de nosso corpo.
A seguir o autor discorre sobre diversos outros artistas e escritores e suas obras, seus poemas, analisando a linguagem dos poemas, seus encantos e suas revelações.

Arte e religião
Uma explicação da origem das artes está intimamente ligada à instituição do trabalho, da linguagem e ao nascimento da religião. “As artes, isto é, as técnicas ou artes mecânicas, nasceram inseparáveis dessa humanização do mundo natural. E essa humanização, como vimos, conduziu à sacralização do mundo natural”.
Para o autor, essa sacralização da realidade fez com que todas as atividades humanas assumissem a forma de rituais, portanto, atividades técnico-religiosas.
O autor segue ainda revelando que o hoje chamamos de belas artes nasceu exatamente no interior das religiões e para servir a esses cultos religiosos.
Com o passar dos tempos a relação profunda da arte com a religião foi sofrendo mudanças desembocando mais tarde num movimento que preconizava a autonomia das artes. Segundo o autor, para que essa autonomia vingasse foi preciso que o novo sistema vigente, o capitalismo, dessacralizasse o mundo e laicizasse toda a cultura, lançando todas as atividades humanas no mercado. Livres do poder religioso e do poder político, os artistas agora estavam “presos” ao poder econômico.

Arte e técnica
Segundo o autor, historicamente, arte e artesanato eram a mesma coisa, e, portanto, o artesão e o artista eram o mesmo. Levando em consideração a origem da palavra e a produção primária, seis recursos, habilidades e agilidades manuais do artesão ou do artista, a arte é definida em seu sentido mais geral como um conjunto de regras e procedimentos com a função de bem dirigir uma atividade humana qualquer para que esta realizasse o fim a que se propôs.
No decorrer deste tópico, o autor revela a distinção platônica e aristotélica sobre a arte e suas técnicas. Para Platão as artes são atividades humanas ordenadas e regradas, distinguindo-as em artes judicativas, dedicadas apenas ao conhecimento e as dispositivas ou imperativas, voltadas para uma ação prática.
Já Aristóteles, distinguia ciência de arte ou técnica. Para ele a arte ou técnica é um saber prático que opera no campo do contingente ou do possível.
Essa classificação antiga das artes ou técnicas era própria da sociedade antiga, fundada na escravidão como organização social.
Na contemporaneidade, três manifestações artísticas, a fotografia, o cinema e o design, ilustram o modo como a arte técnica se encontram e se comunicam.

Religiosidade, autonomia e técnica: a aura e sua desaparição
Valter Benjamin em seu documento, “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, introduz o conceito de aura para analisar, o “valor de culto” da arte, no seu momento religioso e o seu “valor de exposição”. Segundo ele, a obra de arte possui aura quando é única, uma, irrepetível, duradoura e efêmera, nova e participante de uma tradição, capaz de tornar distante o que está perto e estranho o que parecia familiar porque transfigura a realidade.
Na sua finalidade de sacralizar e divizinar o mundo, a origem religiosa transmitiu às obras de arte a qualidade aurática mesmo quando deixaram de ser parte da religião para se tornarem autônomas e belas artes.
A qualidade aurática da obra de arte foi quebrada ou perdida quando se tornou possível a reprodução técnica da arte, que permite a existência do objeto artístico em série.

Arte e Filosofia
Num primeiro momento a filosofia, graças a Platão e Aristóteles, a arte é concebida teoricamente sob o ponto de vista poético e num segundo momento, já no século XIX, a arte é teorizada sob o ponto de vista da estética.
Empregada pela primeira vez pelo alemão Baumgarten, por volta de 1750, para analisar as obras de arte sob o aspecto da sensibilidade, isto é, das experiências dos cinco sentidos e dos sentimentos causados por ela, tendo como finalidade o belo. Além da sensibilidade e da fantasia do artista, a estética se ocupa também do sentimento produzido pela obra sobre o espectador ou receptor.
A estética concebia a arte como belas artes e pressupunha que:
1. a arte é uma atividade humana autônoma;
2. é produto da experiência sensorial do artista;
3. sua finalidade é desinteressada ou contemplativa;
4. o artista busca o belo e o receptor avalia o valor desse belo por meio do juízo de gosto;
5. a estética afirma a autonomia das artes pela distinção entre beleza, bondade e verdade.
6. o valor da arte não só está na força da sua beleza mas também em sua originalidade.

O juízo estético ou juízo de gosto
O filósofo Kant em sua obra “Crítica da faculdade de julgar”, discorreu sobre o juízo de gosto. Para ele a total subjetividade do gosto não poderia servir de critério para o julgamento das obras de arte, pois tanto o gosto do artista é individual e incomparável como os gostos do público são individuais e incomparáveis. Para ele é impossível discutir o gosto. Para ele, a idéia de beleza, seu conteúdo e sua forma podem variar segundo as circunstâncias históricas e segundo a inspiração e sensibilidade subjetivas do artista, mas o sentimento do belo, fundamento do juízo de gosto, é universal porque a beleza é uma idéia da razão.

A arte como trabalho criador
Com a consolidação da sociedade industrial capitalista, a Filosofia deixa de pensar a arte sob o ponto de vista da produção e contemplação. A nova estética retoma a idéia de obra de arte como um fazer.
Nesse sentido três são os temas principais investigados pela filosofia da arte: a relação entre arte e natureza, entre arte e saber, e as finalidades da arte.

Relação entre arte e natureza
Apesar se empregada na produção de uma obra de arte recursos com os quais sejam produzidas impressões de algo natural, ela não deixa de ser uma produção do homem, independente da natureza. A arte guarda a representação do real e não a coisa real em si, uma imitação do que existe no mundo.

A mimésis grega
Foi a primeira relação entre arte e natureza proposta pela Filosofia. Para esta teoria, a arte era a imitação perfeita da realidade. Uma relação mimética. O valor da obra dependia da habilidade do artista em encontrar materiais e formas adequadas para obter o máximo de efeito imitativo.

Inspiração criadora
A arte deixa de ser definida como ação de imitar a natureza, a mimésia, para a categoria de inspiração criadora. A estética coloca o valor da obra de arte na figura do artista como gênio e imaginação criadora. Em lugar de imitação, passa-se a falar de inspiração.
A arte agora é concebida como uma realidade puramente humana e espiritual, pela livre ação do artista, igualando-o à ação criadora de Deus.

O trabalho expressivo
Na contemporaneidade, a arte é concebida como trabalho da expressão e construção. A obra de arte não é pura criatividade espiritual espontânea e livre, mas um trabalho para a expressão de um sentido novo, escondido no mundo, e um processo de construção do objeto artístico, em que o artista colabora, luta, alia, ou se separa da natureza. A arte é instituída como parte da cultura.
O artista é um ser social que busca exprimir seu modo de estar no mundo na companhia dos outros seres humanos, num embate contínuo com a natureza, com a sociedade e consigo mesmo.

Relação entre arte e saber
A concepção platônica concebe a relação arte e saber como uma forma de conhecimento humano, e, portanto, relacionada com a verdade. Já Aristóteles toma a arte como atividade prática humana.
A concepção platônica é alterada na Renascença, quando afirma-se que as artes imitativas juntamente com as artes judicativas e dispositivas, uma das formas altas de acesso ao conhecimento verdadeiro e às coisas divinas. No século XVIII até meados do século XIX, durante o Romantismo, a arte é concebida como órgão geral da Filosofia.

Finalidades da arte
• Concepção pedagógica e expressiva
A concepção pedagógica ou formadora
Foi formulada pela primeira vez em Platão e Aristóteles, quando Platão escolhe a dança, a música e a estratégia (artes dispositivas) mais a gramática, a matemática e a dialética (artes judicativas), como disciplinas fundamentais na formação do corpo e da alma.
Já Aristóteles escolhe a tragédia como formadora, pois para ele a tragédia tem a função de produzir a catarse, uma espécie de purificação espiritual dos espectadores.
Kant, afirma que a função mais alta da arte é produzir o sentimento do sublime, isto é, a elevação e o arrebatamento do espírito do espectador diante da beleza contemplada.
Hegel também insiste na concepção educativa da arte. Para ele a pedagogia artística se efetua em duas modalidades sucessivas: a primeira, a arte é o meio para a educação moral da sociedade, e na segunda, educa a sociedade para passar à religião espiritual ou à interioridade.
O pensamento estético de esquerda também atribuiu a finalidade pedagógica às artes dando-lhe a tarefa de crítica social e política, interpretação do presente e imaginação da sociedade futura.

A concepção expressiva
A arte como expressão transforma um fim aquilo que para outras atividades humanas é um meio. Ou seja, a pintura e escultura nos ensinam a ver; a música nos ensina a ouvir a audição; a dança a mover-se e possuir um corpo; a literatura a linguagem, etc...
Para o autor, as artes como expressão transfiguram a realidade para que tenhamos acesso verdadeiro a ela. Desequilibra o estabelecido ou o instituído, descentra movimentos, sons, formas, cores e palavras e institui o novo. Por ser expressiva ela é simbólica e alegórica.
As artes trabalham com símbolos e criam símbolos. Nas artes, a alegoria significam um símbolo ou mais de um símbolo daquilo que está representado.

Arte e sociedade
As inserções da arte na vida social fizeram parte da caminhada evolutiva da própria arte. As artes exprimem as formações sociais em que nascem e nas quais vivem, pois a arte é socialmente determinada:
pela finalidade social das obras – culto religioso na Antiguidade; prestígio na Renascença e satisfação do mercado de arte na atualidade;
pelo lugar social ocupado pelo artista – mago-artesão na Antiguidade; financiado e protegido pelo mecenas na Renascença e profissional liberal nos dias de hoje;
pelas condições de recepção da obra de arte: a comunidade de fiéis, na Antiguidade; uma elite rica com poder político na Renascença e agora sob divisões de classes.

Duas concepções filosóficas se formaram na discussão sobre a relação arte-sociedade. Por um lado, há a que defende a arte pura, ou seja, não deve estar preocupada com a história social, política e econômica. È a defesa da arte pela arte. A outra corrente quer que o valor da obra de arte decorra de seu compromisso crítico com a realidade à sal volta. É a arte engajada.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Resenha/Resumo

A experiência estética


Autor: DUARTE Jr., João Francisco
Livro: O que é a beleza. SP:Brasiliense. 1986


A análise de uma obra de arte deve serve para procurar a beleza. Porém, a beleza não se encontra nem no objeto em si mesmo, nem isoladamente nos sujeitos humanos. Para o autor, a beleza habita a relação. A relação do sujeito com o objeto, ou seja, a beleza está entre o sujeito e o objeto.
Neste sentido, a obra de arte, que é uma forma acabada, é perceptível ou se oferecem à percepção, são elas que dirigem as faculdades perceptíveis humanas. A arte é um símbolo dos sentimentos humanos, que não pode ser comunicado conceitualmente. Ela é simplesmente expressão.
Para o autor, a arte significa somente aquilo que existe em suas formas perceptivas, e que não pode ser expresso de nenhuma outra maneira. Por isso ela não nos transmite conceitos, que poderiam ser comunicados através de sinônimos, mas exprime sentidos em nível de sentimentos em suas formas mesmas.
Não sendo uma forma de linguagem, arte pode ser considerada um código expressivo, pois ela se nos apresenta de forma total, um sentido num todo inteiro.
O assunto de uma obra de arte não é o seu significado, pois nela não importa o “que” e sim o “como”, a sua forma é o seu próprio conteúdo.
O que ocorre numa experiência estética é que os sentimentos são tocados, são despertados pelas formas do objeto e então vibram, dando-se a conhecer a nós mesmos. Ao revelar-nos o mundo – por meio de seu próprio mundo – o artista nos mostra a nós mesmos.
O sentido entre a obra e o espectador faz com que cada qual entre com sua parcela de significados. A arte encaminha os sentimentos do espectador numa determinada direção, mas a forma de vivenciar esse sentimento é própria do espectador. Nesta experiência estética, quanto mais sentidos possibilitar, mais pela a obra de arte será. No momento desta experiência o mundo prático é substituído pela realidade da obra.
Para o autor, nesta “nova realidade”, a consciência do espectador se modifica mudando sua percepção, deixando de ser utilitária tornando-se estética.
A percepção estética busca a verdade do objeto. A arte deve ser fruída, desfrutada, serve para despertar no espectador a consciência e a vivência de aspectos do sentir, com relação ao mundo.
A percepção estética é considerada por alguns autores como “desinteressada”, uma percepção que apreende o objeto com um todo, sem analisar suas partes constituintes, uma percepção global de suas formas expressivas. O espectador fruindo e degustando a obra de arte segue os caminhos propostas pela obra de arte, recriando tais formas de acordo seus sentimentos.
No relacionamento eu-isso, isto é entre o espectador e a obra de arte, a experiência estética toma uma forma em que o sujeito e o objeto encontram-se numa relação de igualdade, face a face.
Para o autor, o prazer experimentado numa experiência estética não resulta da satisfação de um desejo ou de uma necessidade. Vai muito mais além do que isso. Ela faz pensar que uma grande obra de arte fica em nossa cabeça após sua fruição. Não é um desejo tão prontamente satisfeito e esquecido. O espectador só toma a obra de arte como um todo, como um objeto para nosso pensamento conceitual, após essa experiência de gozo ou fruição.

* Ricardo Carvalho da Silva
Estética de Comunicação de Massa - 2008.1

O Universo das Artes

Resenha/Resumo

O universo das artes
O ponto de vista do espectador


Artista e obra de arte

O autor tenta desmistificar os diversos conceitos do mundo da arte, ou da imagem, revelando o senso comum dominante, confuso em relação ao que é mesmo o artista e o que vem a ser obra de arte. Geralmente, as pessoas conceituam artista como um cantor, compositor, bailarino e como obra de arte toda e qualquer produção artística do passado.
Para o autor do texto, “essa curiosa discrepância entre o que se entende por artista e por obra de arte indica que, ao dizer quem é um artista, a pessoa está exprimindo o ponto de vista da chamada cultura de massa ou cultura do espetáculo; e que, ao explicar o que entende por obra de arte, está exprimindo o ponto de vista da chamada cultura erudita ou cultura de elite, portanto, de um espectador que vive numa sociedade dividida em classes sociais, na qual somente alguns podem entender e fruir a arte”.
Essa separação do artista com a obra de arte será objeto de estudo do autor que tentará desvendar o sentido mais amplo da obra de arte. Para tanto ele subdividirá o texto em tópicos, a saber:

Relação com a obra de arte
Aqui o autor revela como se dá a relação desse espectador com a obra de arte, quando o mesmo responde que se emociona diante de uma obra de arte e que conhece e pode adquiri-la e a tem como uma peça de artesanato em casa, etc.. Através dessas respostas do espectador, o autor percebe uma aproximação e a distinção entre arte e artesanato e a proximidade entre arte e antiguidade.

O ponto de vista do artista
Sobre este tópico, o autor desvela o ponto de vista de artistas, historiadores e estudiosos sobre que é a arte.
Merleau-Ponty dizia que arte é advento – um vir a ser do que nunca antes existiu -, como promessa infinita de acontecimentos – as obras dos artistas.
Para o autor, o artista é aquele que recolhe de maneira nova e inusitada aquilo que está na percepção de todos e que, no entanto, ninguém parece perceber. Ao fazê-lo, nos dá o sentimento da quase eternidade da obra de arte, pois ela é a expressão perene da capacidade perceptiva de nosso corpo.
A seguir o autor discorre sobre diversos outros artistas e escritores e suas obras, seus poemas, analisando a linguagem dos poemas, seus encantos e suas revelações.

Arte e religião
Uma explicação da origem das artes está intimamente ligada à instituição do trabalho, da linguagem e ao nascimento da religião. “As artes, isto é, as técnicas ou artes mecânicas, nasceram inseparáveis dessa humanização do mundo natural. E essa humanização, como vimos, conduziu à sacralização do mundo natural”.
Para o autor, essa sacralização da realidade fez com que todas as atividades humanas assumissem a forma de rituais, portanto, atividades técnico-religiosas.
O autor segue ainda revelando que o hoje chamamos de belas artes nasceu exatamente no interior das religiões e para servir a esses cultos religiosos.
Com o passar dos tempos a relação profunda da arte com a religião foi sofrendo mudanças desembocando mais tarde num movimento que preconizava a autonomia das artes. Segundo o autor, para que essa autonomia vingasse foi preciso que o novo sistema vigente, o capitalismo, dessacralizasse o mundo e laicizasse toda a cultura, lançando todas as atividades humanas no mercado. Livres do poder religioso e do poder político, os artistas agora estavam “presos” ao poder econômico.

Arte e técnica
Segundo o autor, historicamente, arte e artesanato eram a mesma coisa, e, portanto, o artesão e o artista eram o mesmo. Levando em consideração a origem da palavra e a produção primária, seis recursos, habilidades e agilidades manuais do artesão ou do artista, a arte é definida em seu sentido mais geral como um conjunto de regras e procedimentos com a função de bem dirigir uma atividade humana qualquer para que esta realizasse o fim a que se propôs.
No decorrer deste tópico, o autor revela a distinção platônica e aristotélica sobre a arte e suas técnicas. Para Platão as artes são atividades humanas ordenadas e regradas, distinguindo-as em artes judicativas, dedicadas apenas ao conhecimento e as dispositivas ou imperativas, voltadas para uma ação prática.
Já Aristóteles, distinguia ciência de arte ou técnica. Para ele a arte ou técnica é um saber prático que opera no campo do contingente ou do possível.
Essa classificação antiga das artes ou técnicas era própria da sociedade antiga, fundada na escravidão como organização social.
Na contemporaneidade, três manifestações artísticas, a fotografia, o cinema e o design, ilustram o modo como a arte técnica se encontram e se comunicam.

Religiosidade, autonomia e técnica: a aura e sua desaparição
Valter Benjamin em seu documento, “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, introduz o conceito de aura para analisar, o “valor de culto” da arte, no seu momento religioso e o seu “valor de exposição”. Segundo ele, a obra de arte possui aura quando é única, uma, irrepetível, duradoura e efêmera, nova e participante de uma tradição, capaz de tornar distante o que está perto e estranho o que parecia familiar porque transfigura a realidade.
Na sua finalidade de sacralizar e divizinar o mundo, a origem religiosa transmitiu às obras de arte a qualidade aurática mesmo quando deixaram de ser parte da religião para se tornarem autônomas e belas artes.
A qualidade aurática da obra de arte foi quebrada ou perdida quando se tornou possível a reprodução técnica da arte, que permite a existência do objeto artístico em série.

Arte e Filosofia
Num primeiro momento a filosofia, graças a Platão e Aristóteles, a arte é concebida teoricamente sob o ponto de vista poético e num segundo momento, já no século XIX, a arte é teorizada sob o ponto de vista da estética.
Empregada pela primeira vez pelo alemão Baumgarten, por volta de 1750, para analisar as obras de arte sob o aspecto da sensibilidade, isto é, das experiências dos cinco sentidos e dos sentimentos causados por ela, tendo como finalidade o belo. Além da sensibilidade e da fantasia do artista, a estética se ocupa também do sentimento produzido pela obra sobre o espectador ou receptor.
A estética concebia a arte como belas artes e pressupunha que:
1. a arte é uma atividade humana autônoma;
2. é produto da experiência sensorial do artista;
3. sua finalidade é desinteressada ou contemplativa;
4. o artista busca o belo e o receptor avalia o valor desse belo por meio do juízo de gosto;
5. a estética afirma a autonomia das artes pela distinção entre beleza, bondade e verdade.
6. o valor da arte não só está na força da sua beleza mas também em sua originalidade.

O juízo estético ou juízo de gosto
O filósofo Kant em sua obra “Crítica da faculdade de julgar”, discorreu sobre o juízo de gosto. Para ele a total subjetividade do gosto não poderia servir de critério para o julgamento das obras de arte, pois tanto o gosto do artista é individual e incomparável como os gostos do público são individuais e incomparáveis. Para ele é impossível discutir o gosto. Para ele, a idéia de beleza, seu conteúdo e sua forma podem variar segundo as circunstâncias históricas e segundo a inspiração e sensibilidade subjetivas do artista, mas o sentimento do belo, fundamento do juízo de gosto, é universal porque a beleza é uma idéia da razão.

A arte como trabalho criador
Com a consolidação da sociedade industrial capitalista, a Filosofia deixa de pensar a arte sob o ponto de vista da produção e contemplação. A nova estética retoma a idéia de obra de arte como um fazer.
Nesse sentido três são os temas principais investigados pela filosofia da arte: a relação entre arte e natureza, entre arte e saber, e as finalidades da arte.

Relação entre arte e natureza
Apesar se empregada na produção de uma obra de arte recursos com os quais sejam produzidas impressões de algo natural, ela não deixa de ser uma produção do homem, independente da natureza. A arte guarda a representação do real e não a coisa real em si, uma imitação do que existe no mundo.

A mimésis grega
Foi a primeira relação entre arte e natureza proposta pela Filosofia. Para esta teoria, a arte era a imitação perfeita da realidade. Uma relação mimética. O valor da obra dependia da habilidade do artista em encontrar materiais e formas adequadas para obter o máximo de efeito imitativo.

Inspiração criadora
A arte deixa de ser definida como ação de imitar a natureza, a mimésia, para a categoria de inspiração criadora. A estética coloca o valor da obra de arte na figura do artista como gênio e imaginação criadora. Em lugar de imitação, passa-se a falar de inspiração.
A arte agora é concebida como uma realidade puramente humana e espiritual, pela livre ação do artista, igualando-o à ação criadora de Deus.

O trabalho expressivo
Na contemporaneidade, a arte é concebida como trabalho da expressão e construção. A obra de arte não é pura criatividade espiritual espontânea e livre, mas um trabalho para a expressão de um sentido novo, escondido no mundo, e um processo de construção do objeto artístico, em que o artista colabora, luta, alia, ou se separa da natureza. A arte é instituída como parte da cultura.
O artista é um ser social que busca exprimir seu modo de estar no mundo na companhia dos outros seres humanos, num embate contínuo com a natureza, com a sociedade e consigo mesmo.

Relação entre arte e saber
A concepção platônica concebe a relação arte e saber como uma forma de conhecimento humano, e, portanto, relacionada com a verdade. Já Aristóteles toma a arte como atividade prática humana.
A concepção platônica é alterada na Renascença, quando afirma-se que as artes imitativas juntamente com as artes judicativas e dispositivas, uma das formas altas de acesso ao conhecimento verdadeiro e às coisas divinas. No século XVIII até meados do século XIX, durante o Romantismo, a arte é concebida como órgão geral da Filosofia.

Finalidades da arte
• Concepção pedagógica e expressiva
A concepção pedagógica ou formadora
Foi formulada pela primeira vez em Platão e Aristóteles, quando Platão escolhe a dança, a música e a estratégia (artes dispositivas) mais a gramática, a matemática e a dialética (artes judicativas), como disciplinas fundamentais na formação do corpo e da alma.
Já Aristóteles escolhe a tragédia como formadora, pois para ele a tragédia tem a função de produzir a catarse, uma espécie de purificação espiritual dos espectadores.
Kant, afirma que a função mais alta da arte é produzir o sentimento do sublime, isto é, a elevação e o arrebatamento do espírito do espectador diante da beleza contemplada.
Hegel também insiste na concepção educativa da arte. Para ele a pedagogia artística se efetua em duas modalidades sucessivas: a primeira, a arte é o meio para a educação moral da sociedade, e na segunda, educa a sociedade para passar à religião espiritual ou à interioridade.
O pensamento estético de esquerda também atribuiu a finalidade pedagógica às artes dando-lhe a tarefa de crítica social e política, interpretação do presente e imaginação da sociedade futura.

A concepção expressiva
A arte como expressão transforma um fim aquilo que para outras atividades humanas é um meio. Ou seja, a pintura e escultura nos ensinam a ver; a música nos ensina a ouvir a audição; a dança a mover-se e possuir um corpo; a literatura a linguagem, etc...
Para o autor, as artes como expressão transfiguram a realidade para que tenhamos acesso verdadeiro a ela. Desequilibra o estabelecido ou o instituído, descentra movimentos, sons, formas, cores e palavras e institui o novo. Por ser expressiva ela é simbólica e alegórica.
As artes trabalham com símbolos e criam símbolos. Nas artes, a alegoria significam um símbolo ou mais de um símbolo daquilo que está representado.

Arte e sociedade
As inserções da arte na vida social fizeram parte da caminhada evolutiva da própria arte. As artes exprimem as formações sociais em que nascem e nas quais vivem, pois a arte é socialmente determinada:
pela finalidade social das obras – culto religioso na Antiguidade; prestígio na Renascença e satisfação do mercado de arte na atualidade;
pelo lugar social ocupado pelo artista – mago-artesão na Antiguidade; financiado e protegido pelo mecenas na Renascença e profissional liberal nos dias de hoje;
pelas condições de recepção da obra de arte: a comunidade de fiéis, na Antiguidade; uma elite rica com poder político na Renascença e agora sob divisões de classes.

Duas concepções filosóficas se formaram na discussão sobre a relação arte-sociedade. Por um lado, há a que defende a arte pura, ou seja, não deve estar preocupada com a história social, política e econômica. È a defesa da arte pela arte. A outra corrente quer que o valor da obra de arte decorra de seu compromisso crítico com a realidade à sal volta. É a arte engajada.

Ricardo Carvalho da Silva
Estética e Comunicação de Massa - 2008.2

terça-feira, 8 de abril de 2008

RESENHA CRÍTICA DE “O UNIVERSO DAS ARTES”

A arte não é fácil de ser compreendida, principalmente quando o homem se dá conta de que arte e artesanato não são técnicas tão similares e que as obras de arte não necessariamente são objetos criados no passado. A arte é muito mais complexa que tudo isso. É possível dizer que hoje o seu acesso está mais democrático e ela não pertence apenas a cultura erudita. Isso se deve a indústria cultural que, através da transmissão pela mídia, colocou a arte em um novo mercado fazendo crescer indiretamente o seu consumo.
É disso que se trata o terceiro capítulo, “O Universo das Artes” do livro “O Mundo da Prática”. Esta é considerada uma transposição da realidade, na qual o artista cria um mundo mais belo ou mais expressivo de acordo com a sua própria visão da vida. Os poetas, por exemplo, dão novos sentidos às palavras já existentes e instituem uma "fala falante" criando um mundo de outra maneira.
São feitas relações da arte com a religião e a filosofia, mostrando primeiramente que a arte ligada a religião não passava de meras encomendas e em relação a filosofia a arte está divida entre a Poética e a Estética, a Poética estuda os seres e as ações produzidas pelo homem e a Estética através do artista procura entender a verdadeira beleza; busca a interpretação do bom gosto de cada um.
O autor também afirma com os conceitos já estabelecidos sobre arte e artista permitem a exclusão de alguns destes, já que por grande parte da sociedade, o que permite a legitimação de obra de arte é sua presença no museu ou galeria.
Deste modo, é necessário que se quebre esse conceito para que haja uma amplitude de reconhecimento que permita atingir a diversos públicos, valorizando assim as diferenças culturais na arte.
Com base nas afirmações e enumerações citadas, pode-se concluir que, ao analisar grande parte da percepção histórica da arte, a maneira como as várias sociedades (separadas no espaço e no tempo) se apropriam dela, e os modos como suas características se refletem no contexto em que a obra é produzida (e vice-versa), a Arte, em sua totalidade, é socialmente determinada e exprime a realidade e o imaginário daquele que a produz, sendo por isso considerada um trabalho expressivo, que não seria possível sem uma fundamentação técnica ou científica.
Por: Marcella Benedictis

Resenha crítica do texto “O que é Beleza”

O texto, escrito por João Francisco Duarte Júnior, tenta fazer o leitor entender o que exatamente significa para o ser humano a experiência estética. O exemplo dado para compreender essa experiência é o de quando vamos ao cinema, onde nos envolvemos por uma “outra realidade”, que nos faz, por algum tempo, esquecermos da nossa. Deixamos todos os problemas fora da sala e nos concentramos na obra que nos toma, assim vivenciamos uma experiência estética.
Para um melhor entendimento, o autor acha necessário saber o que é uma obra de arte, ou seja, como se dá a sua “estrutura”, e qual função ela desempenha. Mas, antes disso, se vê necessário, desvendar o “local” onde reside a beleza. Para ele, a beleza não é uma qualidade objetiva que certos objetos possuem. O que é belo para um não o é para outro, a beleza não se encontra nas coisas, ela habita a relação que um sujeito mantém com o objeto. O autor cita a definição de Susanne Langer a fim de expor seu pensamento sobre a arte, onde ele diz: “arte é a criação de formas perceptivas expressivas do sentimento humano”. Mas, João Francisco vai mais além, ele diz que a arte dirige-se fundamentalmente às faculdades perceptivas humanas (e não às intelectivas), através da arte temos como que uma visão do mundo de nossos sentimentos, temos formas que nos permitem “ver de fora” a inefável dimensão do nosso sentir.
Segundo o autor, a linguagem não consegue descrever os sentimentos, ela não pode transmitir o sentimento expresso por uma obra, pois a obra nos permite contemplar os sentimentos por meio de formas que guardam uma relação de analogia com eles. Se na linguagem o significado está “fora” das palavras, na arte ele está engastado, aderido à sua forma. Em suma, na arte não existe um “conteúdo” que possa ser expresso (identicamente) de várias maneiras: a forma é o próprio conteúdo.
Diante do exposto pelo autor, foi possível perceber que, em essência, o que ocorre numa experiência estética é que nossos sentimentos são tocados, são despertados pelas formas do objeto e então vibram, dando-se a conhecer a nós mesmos. Nesta experiência, o objeto é o foco da atenção e percepção, isto é, não faz parte e não se relaciona ao “sistema” de coisas existentes ao seu redor. Durante o seu decorrer não há conceitualizações, nem pensamentos (discursivos) a respeito do objeto, há apenas um experenciar mais global, onde os sentimentos vibram a partir das formas por eles apreendidas.
Por: Luan de Macêdo